terça-feira, 20 de dezembro de 2022

Despir

Dos dias em que tudo nos pesa na alma....
Dos dias em que o silêncio nos sussurra a doce melodia do abandono...
Dos dias em que mil e uma vozes ecoam em nós e nos impedem de nos ouvirmos...
Dos dias em que urge o reencontro com que sabemos sermos capazes de ser...
Dos dias em que nem os sonhos nos trazem o conforto de viver fora de nós...

Aqueles dias em que queríamos sair de nós... ir deixando para trás as camadas que escondem dos outros o quão frágeis nos sentimos... sair da nossa pele e afastar a dor que nos corrói... 
Como se fosse possível nos livrarmos de todas as mágoas que a vida nos faz sentir... 
Como se fosse possível, nem que por breves instantes, despirmo-nos do caos... e deixar a nossa alma fluir...


sábado, 17 de setembro de 2022

Quando…

Quando o ar insiste em não entrar… 
Quando a tua paz de espírito se escoa em todas as direções… 
Quando as lágrimas gritam num silêncio ensurdecedor…
Quando te envolve o vazio…
Quando esperam que consigas criar tudo do nada que sentes em ti…
Quando o cansaço insistir em te afundar…
Quando a luz insiste em se apagar…
Quando perdeste a capacidade de sentir calor…
Quando o teu sorriso se perdeu num mar de dor… 

E quando te sentes estúpida e ingrata por ter contigo o maior e mais perfeito amor… 



domingo, 21 de agosto de 2022

Silêncio

Na ausência de palavras, caminhei na sua direção… 
Envoltos num vendaval de todas as tonalidades que existem na ausência de cor… 
Fixei o meu olhar no seu e continuei a caminhar… 
O vento criava aquele silêncio gritante em que as palavras perdiam todo o seu valor… 
Vestida com a capa da coragem para disfarçar a fragilidade que sentia… 
Deixei as lágrimas fluir lavando a minha dor… e com o meu olhar despi o meu coração…
Com os meus braços trémulos envolvi o seu gélido silêncio e sussurrei-lhe ao ouvido a melodia suave da gratidão… 
E em todos aquele vazio aceitei a dor de não lhe poder agradecer por me ter mostrado o que era o amor! 


sexta-feira, 22 de julho de 2022

Fluir

Nunca enfrentaremos maior desafio do que aquele que sossegar a dor que nos dilacera a alma exige de nós…

Quando a vida exige de nós que caminhemos o mais difícil dos caminhos, encontramos no amor puro e genuíno a força que nos permite esquecer o quão destroçada temos a alma…

Carregando o manto da exaustão, é num colo dado que descobrimos o fôlego para conseguir continuar…

E, com a alma destroçada e o corpo exausto, é ao ritmo do fluir das lágrimas que trilhamos o único caminho possível… aquele em que o sal nos queima e nos regenera… aquele em que aceitar a dor e também aceitar o amor…


quinta-feira, 12 de maio de 2022

Acreditar...

Um dia deixei o meu coração se levar pela solidão...
Despi-me da armadura que todos vêm...
E a esperança de um aconchego estilhaçou-se em meu redor...
Nesse dia cravou-se-me na alma a dor do vazio...

E hoje essa dor continua a caminhar comigo... 
No cansaço que me sufoca fluem as lágrimas...
Deixo-me envenenar pela esperança de me reencontrar...

Como se fosse possível reaprender a deixar-me ver...
Como se fosse possível voltar a sentir a confiança em me deixar ter...
Como se os estilhaços que trago em mim me pudessem abandonar e como se fosse possível voltar a acreditar... 


 


domingo, 13 de março de 2022

Vou fingir...

 Vou fingir…
Vou fingir que não são lágrimas que escorrem pelo rosto...
Vou fingir…
Vou fingir que não é dor que me pesa na alma…
Vou fingir…
Vou fingir que não é angústia que me dilacera o coração…
Vou fingir…
Vou fingir que não é ingratidão que me atormenta…
Vou fingir…
Vou de fingir que não é o vazio que me envolve…
Vou fingir…
Vou fingir que não é cansaço que respiro…
Vou fingir…
Vou fingir que não são sombras que me deixam na escuridão…
Vou fingir…
Vou fingir que um dia vais existir… 
... e que a esperança existe no lugar onde poderia repousar o meu coração…


domingo, 6 de fevereiro de 2022

Amor!

Desde o primeiro instante que a sensação de estar a flutuar num sonho surreal de amor e perfeição, em que o universo decidiu te trazer à minha vida, me deixa incrédula com com o motivo pelo qual fui abençoada com tamanha dádiva…

Julgo que o amor que sinto é apenas igualado pela pavor de te perder… De não estar à tua altura… de um dia deixar de te merecer…

Não houve, nem nunca haverá, margem para uma sequer fração de instante em que hesite em relação ao quanto significas para mim! 

Surgiste da forma mais inesperada que alguma julguei possível e trouxeste contigo o sentimento de encontrar o sentido em tudo o que mudou e irá continuar a mudar… porque nunca nada fará tanto sentido como te amar! 

E as lágrimas que me escorrem pelo rosto falam de mil e um sentimentos e pensamentos, falam de quanto te quero proteger, de tudo aquilo que espero poder te trazer… 

Como se em algum momento fosse possível eu te retribuir todo o amor que me fazes sentir!



quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

Ao contrário...

Quão surpreendente seria o rio desaguar na nascente e nascer no mar?
Quantos olhares surpreendidos veriam o inverso acontecer e sentir que era perfeito, porque apenas assim é que ele sabia ser?
Quão mais iríamos desfrutar se morrêssemos antes de nascer e pudéssemos usufruir de toda a sabedoria que isso no iria trazer?

Eles olham-nos e esperam que comecemos na partida e a meta seja onde vamos terminar...
... mas e se só soubermos começar onde deveríamos acabar?

Quão imperfeitamente perfeito é um caminho em que primeiro escolhes uma profissão para depois seguires a tua paixão?
Quão insensatamente perfeito é o momento em que descobres o verdadeiro amor quando já não estás numa relação?

Será ser a exceção... a insanidade... a diferença... será não saber aceitar apenas porque sim nem apenas porque não?
Deixar que as lágrimas fluam sem abraçar as mágoas, será a solução?

São tantas perguntas que podem surgir num caminho que apenas a ti cabe descobrir....