quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Beber....

Por estes dias, lá para os lados da santa terrinha á beira mar plantada onde me dedico a queimar neurónios, decorre a tradicional semana do caloiro...
Até aqui nada de novo... até aqui nada de estranho.... porque acho que é perfeitamente normal os estudantes, como todas as pessoas, terem os seus momentos de diversão e de descompressão.... Aquilo que realmente não consigo compreender é que se tenha tornado uma moda que a diversão nocturna se faça acompanhar pelo coma alcoólico... e que sair á noite sem ingerir bebidas alcoólicas seja proibido....
A verdade é que não percebo essa necessidade de beber para que seja quem for se consiga divertir.... até porque como qualqer leigo deve perceber o coma não é o estado mais propício a qualquer divertimento...
Claro que não pretendo com isto julgar seja quem for, e muito menos dizer que acho errado a ingestão de bebidas alcoólicas.... Hei, eu não sou nenhuma santa, gosto de beber um bom vinho, uma cerveja gelada naqueles dias de calor, e outras quantas bebidas que aprecio quando para aí estou virada.... Porque se muitas foram as vezes em que em momentos de diversão bebi, muitos também foram aquele em que não o fiz e me diverti tanto ou mais....
E no meio de tudo isto continuo sem perceber, porque é que alguém bebe para se divertir.... como é que perdermos a noção de quem somos e do que estamos a fazer se pode tornar divertido.... como é que estarmos num estado de estupor quem não reagimos a nenhum estímulo pode ser considerado diversão....

4 comentários:

spritof disse...

não é diversão... é chamar a atenção, para uns, mas para outros é andar no extremo... passar a linha que separa as ovelhas dos lobos... é ser mais que o resto da malta... é ser mais corajoso ou corajosa, audaz, resistente... é ser-se estúpido ou estúpida por não se perceber que não é aí que reside a grandeza!

Todas as gerações têm algo deste tipo... o que se passa é que cada vez são mais novos... (pelo menos considerando as últimas décadas) ...e o desafio passou de actos loucos e arrojados para álcool, depois drogas e agora para drogas e álcool ao mesmo tempo... e o que dantes sucedia aos 18, 20, 22... agora sucede aos 12, 14 e 16...

O acesso a substâncias perigosas (sim, porque o álcool é perigoso quando ingerido de forma imprudente) é cada vez mais fácil e socialmente aceite, contra todas as expectativas.

Criticámos, em décadas passadas, o consumo das sopas de cavalo cansado, nalgumas aldeias, por putos de tenra idade, como sendo algo bárbaro e indecente. E no entanto, ainda eram crianças com algum discernimento. Hoje, é vê-los caídos de bêbados na Infante Santo e ninguém diz nada, ninguém faz nada... é tudo natural e aceitável, e é para desanuviar da vida difícil que um adolescente tem nos dias de hoje. Difíceis são os pais... que por mais canudos e títulos respeitosos que muitos detêm, e outros nem por isso, os deixam andar naquele miserável estado de inconsciência e nem sabem que educação dar.. e nem querem saber! Broncos!

TM disse...

Claro que todos os jovens passam por rituais de passagem... não era necessário era serem rituais que lhe queimam os neurónios....

Sandra disse...

Concordo.
O princípio da bebida é o mesmo que o princípio do cigarro.
Acaba por ser socialmente aceite.
O cigarro actualmente e por imposições legais, está em redução.
Ao contrário, a bebida está em expansão. E é mais fácil utilizar a bebida como argumento para a realização de determinados actos.
:)

ianita disse...

Eu gosto de beber. Gosto muito. Não bebo vinho nem cerveja, porque não gosto. Na Faculdade toda a gente bebia traçadinho e cerveja. Eu não bebia, nem nunca me sentia pressionada a isso. Bebo me sabe bem e não faz sentido beber coisas de que não gosto só porque toda a gente bebe.

Já fiquei bêbeda mais vezes do que tenho memória. Já fiquei "alegre", parvinha, a rir sem parar. Muitas vezes. E desconfio que ficarei mais vezes, muitas mais, ao longo da vida.

Não vou dizer que me lembro de tudo o que faço quando estou bêbeda. Mas eu não me lembro de tudo o que faço quando não estou :)

Nunca perdi consciência. Nunca fiz coisas de que me arrependesse. Nunca me desculpei com os copos a mais. Sempre soube o meu limite e nunca o passei.

Não bebo porque fica bem ou porque os outro bebem. Bebo o que me apetece e quando me apetece.

Nunca fui Maria vai com as outras... mas confesso que isto me assusta. Porque nos bares não há controlo. Porque se vendem bebidas a pessoas muito novas. E não cerveja, com baixo teor alcoólico, mas shots, cheios de bebidas fortes. Assusta porque a maioria dos miúdos tem medo de dizer "não me apetece mais" ou "não quero beber disso".

É um problemas de sociedade, mas principalmente dos pais. Os meus pais não foram os melhores educadores, mas uma coisa souberam incutir: independência. Nunca fumei. Nunca sequer pus um cigarro na boca. Por mais que fosse incitada. Não queria, como não quero. E nem na mais terrível crise de identidade na adolescência fui contra aquilo que sou.

Acho que é isso que falta... mostrar aos miúdos que são seres individuais. Que têm autonomia e vontade própria. E que o Mundo não acaba se não fizerem parte de todas as manadas...

A bebida de hoje é uma das minhas preferidas de sempre... leite com Nesquick ;)

Beijos